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Criar projetos foge de uma tarefa puramente técnica. Existe muita compreensão e cuidado envolvidos.

Hoje em dia, com a vida corrida, as pessoas querem chegar em casa e desacelerar, descansar. E, para isso, precisam de casas que transmitam cuidado: com uma iluminação adequada para cada momento, espaços agradáveis e que favoreçam o descanso, quem sabe uma conexão com a natureza de alguma maneira, além de elementos que façam a pessoa se sentir pertencente àquele espaço.

Além disso, as pessoas estão cada vez mais preocupadas em cuidar da saúde física e mental, e a casa também precisa acompanhar esse cuidado.

Essa responsabilidade de antecipar como será a experiência de morar naquele espaço passa, muitas vezes sem ser devidamente percebida, pelas mãos do arquiteto que projetou aquela casa. Porém, a preocupação com a funcionalidade técnica e com a execução pode acabar ocupando tanto espaço que a experiência de quem vai morar ali deixa de ser o centro do projeto. E, então, os sentimentos que aquele ambiente vai despertar nas pessoas acabam sendo descobertos somente depois, com o uso.

Os projetos também podem perder esse cuidado diante da necessidade de alta produtividade e de entregas cada vez mais rápidas. A repetição de soluções e o uso constante de referências prontas das redes sociais podem levar à criação de ambientes visualmente bonitos, mas pouco personalizados.

E aquele cuidado minucioso de entender os hábitos, a rotina, os momentos de descanso, a relação entre as pessoas da casa, o que traz segurança, as memórias e os sentimentos de pertencimento – tudo aquilo que é particular da individualidade de cada pessoa – acaba sendo deixado de lado.

Os projetos tornam-se padrões em meio à pressão por produtividade. E então, quando a família finalmente se muda para a tão sonhada casa nova, pode encontrar um ambiente inóspito e frio. Um espaço que, embora bonito e funcional, ainda não representa verdadeiramente quem mora ali e não proporciona aquilo que, de alguma maneira, aquela família realmente precisava encontrar em sua casa.

Outro motivo que pode levar a esses descuidos é a falta de um olhar mais profundo para a relação entre as pessoas e os espaços que habitam. Conhecimentos como a psicologia ambiental, a neuroarquitetura e o Feng Shui podem ampliar essa percepção, assim como uma escuta verdadeiramente atenta às necessidades do cliente.

Quando o profissional está muito concentrado em fazer com que o projeto esteja pronto e seja executado, pode acabar deixando os cuidados com os moradores em segundo plano.

Aquela sala que era para te abraçar e deixar você ser você, sem máscaras, onde você pode baixar a guarda, receber os amigos de pantufa ou simplesmente aproveitar o silêncio da casa, acaba sendo apenas um espaço bonito, mas sem vida. Sem a sua vida.

Ao perceber isso, comecei a dar ainda mais atenção ao Feng Shui e à sua introdução desde o início de um projeto. Para mim, ele não entra apenas como uma decoração posterior ou como uma lista de objetos, mas como uma forma de observar o espaço e compreender a relação entre a pessoa e o ambiente que ela habita.

É uma maneira de olhar mais profundamente para quem vai morar ali, mergulhar naquilo que essa pessoa realmente precisa para a sua casa, mesmo quando ela não consegue expressar isso diretamente.

Às vezes, a pessoa diz que quer uma casa “bonita” ou “aconchegante”, mas, por trás dessas palavras, pode existir uma necessidade de descanso, segurança, privacidade, conexão, praticidade ou pertencimento.

É nesse olhar mais atento, que busca compreender tanto o que é dito quanto aquilo que fica subentendido, que encontro uma maneira de projetar espaços que façam sentido para quem os habita.

Porque, no fim, uma casa não é feita apenas de paredes, móveis e objetos.

É feita de tudo aquilo que acontece dentro dela.

E é esse cuidado que pode transformar uma casa em um verdadeiro lar.

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